quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

.dos devaneios da Lya [2]

Machos e fêmeas

"Histórias de amores frustrados, relações ruins ou trágicas, fracassos, decepções, dores e rancores se multiplicam.
Chega a parecer, algumas vezes, que um amor bom, ao menos razoável, alegre, cúmplice, terno e sensual, que faça crescer, seja um bem tão raro quanto viver lúcido e saudável até os cem anos.
Fico pensando nesse dilema, que pode parecer divertido a uma primeira leitura, mas na prática é demais complexo:
se não combinamos, por que - homens e mulheres - nos queremos e nos procuramos?
Pensando bem, homens e mulheres pouco têm em comum exceto a preservação da espécie: as almas são diferentes, a biologia é outra, as vontades e os interesses também. Prioridades de um e outro, nada a ver. Como tribos vizinhas mas inimigas: guerrinhas, escaramuças, ou guerra total.

Muito é cultural, concordo. Mas cada vez mais acredito que somos imensamente determinados pelo que éramos nas cavernas.
Homem saía pra caçar, voltava, fazia filhote, saía pra caçar e pra matar inimigo, voltava... e assim por diante.
Mulher ficava na caverna pra ser fecundada, parir, alimentar a família e proteger as crias. Ah, e cuidar do troglodita para que ele estivesse bem nutrido e descansado ao sair em busca de comida para ela e para as crias, e a fecundar de novo... e assim por diante.

Mudou o mundo, os hábitos se transformaram, incrivelmente muita coisa aconteceu - mas o homem e a mulher das cavernas ainda nos habitam sob a casca de algum requinte. Foi Tomás de Aquino ou Agostinho quem disse que o ser humano é um anjo montado num porco? Na guerra e às vezes na relação amorosa o animal predomina; na paz e nos momentos ternos funciona o anjo. O bom mesmo é a mistura: nem de menos, nem de mais.

Só a impenetrável natureza explica que seres tão diversos quanto machos e fêmeas se queiram tanto, se encantem, se façam felizes - ou se detestem, se traiam, se atormentem e, quando possível, até se destruam. Ou tudo isso ao mesmo tempo. O que os diferencia das peludas criaturas originais nem é, pois, a paixão, mas
o amor: amizade com sensualidade.
O que precisa um casal para ser um bom casal, amoroso, alegre, criando pontes sobre as diferenças e resolvendo com bom humor as agruras do convívio cotidiano? Penso que o bom casal é o que SE GOSTA, com tudo o que isso significa: cumplicidade, interesse, sensualidade boa, e o difícil compromisso da lealdade.

Dedicação, às vezes até devoção. Para que a gente seja, além de machos e fêmeas, pessoas que entendem, curtem, confortam, desejam e... tudo aquilo que nas cavernas acontecia. Só que com mais graça, consciência, talvez mais delicadeza.
É aí que (re)começam os problemas. Mas macho e fêmea não desistem - nem devem.
Pois apesar da trabalheira toda bem que a gente gosta!"

[mais do mesmo livro da Lya Luft, Pensar é transgredir]

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

.pensou em mim, certo!

Não há dúvida nenhuma que o Quintana escreveu isso pra mim:

.Da observação

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...


Resolvi tirar isso do meu orkut hoje, mas tinha que deixar em algum outro lugar.
É perfeito.
Minha cara mesmo...
Quem me conhece um pouco sabe disso...



[e aí está... Centro de Cultura Mário Quintana, no centrão de Poa... ainda em reformas e com os enfeites de Natal, da última vez que passei por lá. Ele morava ali, agora tem um museu e um espaço bem legal pra ficar tranqüilo, lendo, conversando, enfim... vale a pena conhecer, quem ainda não o fez.]

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

.dos devaneios da Lya...

Às vezes eu acho que o Quintana escrevia pra mim. Outras vezes, o Neruda. Tudo depende do momento.
E ontem a Lya virou minha mais nova amiga. Ela também escreve pra mim.
Comecei a ler "Pensar é transgredir" só porque acho que meu cérebro ainda não precisa de total descanso. Muito, muito, mas muito bom mesmo. Dá vontade de copiar o livro todo e colocar aqui. Mas não, sem exageros. Aí vai a crônica do capítulo 3... [logo virão outras mais...]


"Canção da mulheres
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que a culpa é dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo 'Olha que estou tendo muita paciência com você!"
Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: "Mas que chateação essa sua mania, volte para a cama!"
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não comente logo: "Poxa, mais um?"
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro - filho, amigo, amante, marido - não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher."
[Lya Luft]

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

.diretamente de uma conversa no msn...

...pro meu blog.
pq ontem eu tava no meu extremo de filosofia (meu cérebro ainda dói..)
eu recebi isso numa conversa, e achei oportuno.
[a tirinha q reservei fica pra próxima]


“Milhares de velas podem ser acesas por uma única sem que essa seja enfraquecida. Felicidade não diminui por ser compartilhada.”—

Siddhartha Gautama (563 AC - 483 AC)

e eu penso...

e penso.
..
.
e leio demais.

e, juro.. chega por hj. talvez uns dias [poucos].
preciso de novos livros.





[e mais paz e sossego.]

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

.mais coisas brevemente relevantes...

Outro trecho de livro... esse é do "Enquanto o amor não vem", da Iyanla Vanzant.
Não se trata apenas de relacionamento homem X mulher, vai muito, muito além. Fala do amor que devemos ter pela família, pelos amigos, pelo trabalho, por nosso mundo... mas, principalmente, amor próprio e amor incondicional.
Sim, não é uma tarefa nada fácil.

Mais um post de "coisas para pensar, mas não muito, senão o cérebro não suporta".
[hj já me disseram que as coisas que eu coloco aqui andam profundas demais. já reservei uma tirinha divertida para a próxima vez...]

"O que você está olhando? O que está procurando? Com o que você está procurando? Essas três perguntas são essenciais para descobrirmos o amor verdadeiro. Se você tem miopia ou hipermetropia, ou qualquer problema de visão, corre o risco de não enxergar o amor quando ele aparecer. Se não sabe o que procurar ou onde procurar, como irá reconhecer o que deseja, quando aparecer? É por isso que você deve checar constantemente sua visão.

Se não consegue enxergar a fonte de sua confusão, pode ser que esteja olhando para a coisa errada, procurando a coisa errada ou procurando com a intenção errada na cabeça. O amor nunca é vingativo ou violento. Nunca tenta nos rebaixar ou derrubar. O amor é uma energia positiva que nos leva a compartilhar, dar, construir e curar. O amor nos energiza e encoraja a fazer mais, nos estimula a praticar atos mais amorosos, a sermos mais, a nos comportarmos de uma maneira mais amorosa, dando cada vez mais amor a mais pessoas.

Quando você conseguir assumir a responsabilidade por si, perdoando-se pelas situações que criou, será fácil amar as pessoas que tiveram algum papel na sua criação.Tendo feito isso, pode ir para o andar seguinte, recebendo dos outros amor incondicional. Para muitos, é mais fácil dar do que receber. Receber significa reconhecer que tudo o que vem para você é reflexo do que você merece. As pessoas lhe darão coisas, oportunidades, recursos, seu tempo e energia, em resposta à quantidade de amor que você dá aos outros. Isso pode tornar o ato de receber um desafio, pois você tem que acreditar que merece o que recebe.

É muito difícil receber quando você suspeita das intenções dos outros. É por isso que tem que aprender a confiar. Confiar em você e nas outras pessoas. A confiança é o ingrediente principal do amor incondicional. Quando achar que está em dívida com alguém, será difícil, se não impossível, ser honesto com ele. É difícil dizer a verdade para alguém de quem você depende ou tem medo. Pode ser difícil, se não impossível, expressar o que você está sentindo quando você se sentir em débito com o amor que lhe dão. Mas se você se lembrar mais uma vez do amor que recebe, esses pensamentos desaparecerão. Você se lembrará que merece amor da forma como ele se apresentar."

[uma bala azedinha de limão e um tapinha nas costas pra quem realmente conseguiu ler td isso. ficou enorme, eu sei...]

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

.todos criamos monstros que dilaceram sonhos...

"Quantos monstros imaginários foram arquivados nos subsolos da sua mente furtando seu prazer de viver e dilacerando seus sonhos? Todos temos monstros escondidos por detrás da nossa gentileza e serenidade.

A maneira como enfrentamos as rejeições, decepções, erros, perdas, sentimentos de culpa, conflitos nos relacionamentos, críticas e crises profissionais, pode gerar maturidade ou angústia, segurança ou traumas, líderes ou vítimas. Alguns momentos geraram conflitos que mudaram nossas vidas, ainda que não percebamos.
Algumas pessoas não se levantaram mais depois de certas derrotas. Outras nunca mais tiveram coragem de olhar para o horizonte com esperança depois de suas perdas. Pessoas sensíveis foram encarceradas pela culpa, tornaram-se reféns do seu passado depois de cometerem certas falhas. A culpa as asfixiou.

Alguns jovens extrovertidos perderam para sempre sua auto-estima depois que foram humilhados publicamente. Outros perderam a primavera da vida porque foram rejeitados por seus defeitos físicos ou por não terem um corpo segundo o padrão doentio de beleza ditado pela mídia.

Alguns adultos nunca mais se levantaram depois de atravessar uma grave crise financeira. Mulheres e homens perderam o romantismo depois de fracassarem em seus relacionamentos afetivos, após terem sido traídos, incompreendidos, feridos ou não amados.

Filhos perderam a vivacidade nos olhos depois que um dos pais fechou os olhos para a existência. Sentiram-se sós no meio da multidão. Crianças perderam sua ingenuidade depois da separação traumática dos pais. Foram vítimas inocentes de uma guerra que nunca entenderam. Trocaram as brincadeiras pelo choro oculto e cálido.

A complexidade da mente humana nos faz transformar
uma borboleta num dinossauro, uma decepção num desastre emocional, um ambiente fechado num cubículo sem ar, um sintoma físico num prenúncio de morte, um fracasso num objeto de vergonha.

Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta (Foucault, 1998). Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos de nossa inteligência.


Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la."


[tirei isso de algum livro do Augusto Cury que li... não lembro qual. =D]

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

.eu não comi o presépio

Tem coisas que só Porto Alegre proporciona pra gente...


Deveras interessante cruzar com isso na rua. E, de fato, eu não comi o presépio. Aliás, há seis anos eu não faço isso, e me sinto muito bem, obrigada. Mas não vou entrar no mérito da questà agora.

Só aproveitando o assunto, vou colocar aqui como curiosidade aleatória uns trechos do livro "Pequeno tratado sobre Karma", que ganhei de um ex colega de espanhol que virou Hare Krsna (!!!!) [quando encontrei ele na rua com aquela roupa laranja, cabelo raspado e trancinha atrás da cabeça, quase não acreditei... mas cada um com suas convicções...].

"Como não podemos criar, não temos o direito de matar nenhuma entidade viva e, por conseguinte, as leis feitas pelo homem, que distinguem entre matar um homem e matar um animal, são imperfeitas. Ao passo que existem defeitos nas leis humanas, não pode haver defeitos nas leis de Deus. Segundo as leis de Deus, matar um animal é tão condenável quanto matar um homem. Aqueles que fazem distinções entre estes dois casos estão inventando suas próprias leis. Até nos Dez mandamentos se prescreve: "Não matarás". Esta é uma lei perfeita, mas ao especular e fazer discriminações, os homens a desvirtuam. "Não matarei o homem, mas os animais sim."

(...)

"Pode ser que alguém mate um animal para comê-lo e desfrutar dele, mas semelhante ação o prenderá a este mundo. Assim, pois, na vida seguinte, esta pessoa se tornará uma vaca ou uma cabra, e a vaca ou a cabra se tornarão homens e comerão aqueles que as comeram. Isto é o que afirmam os Vedas e, como tudo que é dito nos Vedas, podemos acreditar ou não. Infelizmente, na atualidade, as pessoas são educadas de tal maneira que não acreditam numa próxima vida. De fato, parece que quanto mais "educada" a pessoa se torna, menos crê em Deus, na Lei de Deus, na próxima vida e em atividades piedosas e pecaminosas. Dessa maneira, a educação moderna está preparando os homens para que se tornem animais. Se não há nenhuma educação que ensine ao ser humano que ele não é este corpo, ele continua sendo não mais que um asno. O asno também acredita que "sou este corpo", como também crêem todos os outros animais. Desta forma, se um homem pensa assim, que diferença há entre ele e o animal?"

Enfim, só para refletir a respeito...