segunda-feira, 15 de agosto de 2011

.pontualidade

.texto que caiu na prova de português do concurso que fiz ontem [e eu adorei! tri feliz em ler carpinejar num momento tão chatinho como aquele...].

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"Não me importo de esperar vinte minutos com a mão na maçaneta enquanto diz que já está pronta para trocar novamente de vestido. Não me importo de esperar dez minutos sozinho no saguão do cinema cumprimentando conhecidos e tentando segurar o refrigerante e os dois baldes de pipoca enquanto vai ao banheiro. Não me importo de esperar chegar em casa para que me diga quem é o amigo que a abraçou efusivamente na festa. Não me importo de esperar três horas na salinha do hospital para saber se a nossa criança nasceu. Não me importo de esperar as longas conversas de sua mãe sobre o meu temperamento. Não me importo de esperar seu corte de cabelo, que sempre envolve pintura, hidratação e escova. Não me importo de esperar a aprovação de suas amigas. Não me importo de esperar nossos filhos regressarem das baladas para me enfurnar em seu cheiro. Não me importo de esperar que tranque as portas antes de tirar o salto. Não me importo de esperar que volte das lojas com as sacolas dentro das outras sacolas para parecer que gastou menos. Não me importo de esperar que faça as pazes com Deus. Não me importo de esperar quando arruma o armário e doa metade das roupas. Não me importo em esperar que encontre a roupa que já deu na semana passada. Não me importo de esperar que o filme acabe para namorar. Não me importo de esperar que devolva as cobertas que rouba para seu lado de noite. Não me importo de esperar você consultar suas mensagens antes de sair. Não me importo de esperar sua irritação em dias de chuva. Não me importo de esperar você nunca me retornar ligações depois das reuniões. Não me importo de esperar que se acorde no domingo, com receio de que fique nublada. Não me importo de esperar que o ciúme desapareça e volte a me ver como se eu fosse somente seu. Não me importo de esperar sua TPM. Não me importo de esperar o melhor momento para viajar. Não me importo de esperar o tempo que precisa para descobrir que me ama. Ou o tempo que precisa para descobrir que não me ama. Não me importo de esperar que venha de repente nossa música no rádio. Não me importo de esperar as revelações de fotografias de sua máquina antiga. Não me importo de esperar o embrulho de um presente. Não me importo de esperar suas discussões de fim de noite. Não me importo de esperar seu beijo de café cortado. Não me importo de esperar sua ressaca depois da dança.


O que desejo dizer é que não precisa se apressar. Nunca chegará atrasada porque sempre estarei a esperando."


[.fabrício carpinejar]

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.trilha sonora...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

.da razão



.lembrei de uma amiga ao ver essa tirinha. onde todos tem a razão, nada muda. todos são muito cheios de si. surdos... e cegos.

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

.curtas

.cansada dos excessos, eu quero as exceções.
quero descansar. deitar na grama pra olhar o sol. ou as estrelas. dormir. ficar de preguiça. viajar. não ter tanto horário a cumprir, ou tanta responsabilidade me esperando. tanta gente me cobrando. [ou pior de tudo: minha auto-cobrança exagerada.]
respirar leve. soltar as amarras. ficar perto de quem me faz bem.



[acho que preciso seriamente de férias...]

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terça-feira, 19 de julho de 2011

.tempos idos

.trechinho da coluna da martha medeiros - da zero hora de domingo passado - onde divaga a respeito do "escrever à mão": quem ainda faz isso? hoje em dia tudo é no computador, computador, computador... [repita isso várias vezes, que bonito]. a vida anda rápida demais, parece que as coisas tem que acontecer "ontem"... um pouco mais de poesia, paciência e calma "é para os fracos".


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"Sei que é bobagem tentar parar o tempo: recusar-se a aceitar os avanços da tecnologia é uma forma de lutar contra a ideia da morte. O problema é que nem tudo considero um avanço: viver sem poesia é evoluir? Aprecio muito a vida prática e funcional, mas às vezes bate saudade das coisas que davam defeito, como o ruído do vinil ou a longa espera da chegada de uma carta. Até a caligrafia enigmática dos médicos há de fazer falta. (...) "...enquanto pertencer a este mundo, ainda pretendo encontrar bilhetes escritos à mão no travesseiro ao lado do meu e poder deixar um recado escrito com batom no espelho do banheiro. Mas pra já. O direito de sermos deliciosamente cafonas está encurtando."
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[me identifiquei porque também gosto de velharias, e tenho certas restrições à internet. ainda dou muito valor a cartas, cartões, bilhetes... tenho uma pequena coleção de lembranças nas gavetas - muitos esperando pela próxima faxina.]

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

.[re]virando

.entre o trabalho, o café e o ócio, um pouquinho dela: rita apoena - cartas antigas V e VI.
metafóricas e poéticas.
[sempre tem farelinhos do blog dela aqui no meu - junto aos farelos de chocolate aqui no teclado.]




"(…) Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao nosso redor? E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio reflexo? Foi esses dias, eu aninhei as mãos de minha avó por dentro das minhas, encostando o meu rosto em seus dedos tão frios, como se ela tivesse acabado de nascer em seu corpinho já envergado pelo tempo e marcado pelos dias. Naquele segundo, eu entendi que nada era mais urgente, nem mais importante, do que ouvir a minha avó reaprendendo a falar… e que eu sequer começaria a ver alguém – além de mim mesma – se não pudesse enxergar as pessoas para as quais olhei a vida inteira."

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"(…) será que, às vezes, a gente vai com tanta pressa ao encontro de alguém que se esquece de se levar junto? Será que o Sol, quando é muito forte, faz a sombra chegar primeiro do que a gente? Será que é assim que tudo acaba? Ou nem mesmo começa? Acordei com uma fresta de luz brincando na cama, o sol deitando a sombra das folhas em minhas pálpebras. E era tão bonito e simples ver a luz pintando os móveis de colorido que entendi o fim de um casamento: nenhum amor floresce preso numa casa, sem contemplar, por instantes, a luz de uma tarde… Então, guardei aquela fotografia por dentro dos meus olhos para quando eu olhar você. E você, como sempre, não me respondeu palavras, não me escreveu palavras, mas quando o sol foi sumindo, me estendeu sorrindo o seu cachecol xadrez."
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quinta-feira, 23 de junho de 2011

.sobre ser feliz

.ontem fui dar boa noite ao meu mais recente "filho" adotivo, um ex cão de rua. fiz carinho, abracei, deitei a cabeça em cima dele, e o querido ali... praticamente ronronando como um gato [acho que nunca recebeu tanta atenção nessa vida]. minha mãe só olhou apavorada: "filha, vai te encher de pêlos!!!". eu só respondi: "mãe, me deixa ser feliz?"

[sim, ele perde horrores de pêlos, mas e daí?]


[a alegria mora na simplicidade.]
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"
Basta um gesto de carinho: da tristeza se fará a felicidade."

http://www.vira-latas.com/

sábado, 11 de junho de 2011

.o dia em uma palavra[3]


contradição

con.tra.di.ção
sf (lat contradictione) 1 Ação de contradizer; afirmação em contrário do que foi dito. 2 Incoerência entre afirmações atuais e anteriores, entre palavras e ações. 3 Oposição entre duas proposições, das quais uma exclui necessariamente a outra. Espírito de contradição: a) disposição de ânimo ou índole que leva a contradizer constantemente o que outro diz ou faz; b) indivíduo de má índole que está sempre em desacordo com os outros.

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trilha sonora...