"Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.
Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.
Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.
Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.
Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos."
.joão cabral de melo neto
7 comentários:
É mesmo...a gente passa por isso, é a lei natural da vida. Mas acho que tb é natural tentar se proteger, né...foda é quando essa proteção não te deixa enxergar a realidade.
Beijo Ana
É vero, contra o tédio não há! hehe
Bom findi, obrigada sempre pela amizade e visitas ao blog!
Não temos proteção pra muita coisa né?
Lindo o poema ^^
A imagem ta o poder
Não há muita proteção na vida, o jeito é enfrentar de peito aberto, com a cara e a coragem!
Bjos,
Paulinha
o guarda-chuva não é de nada
Tu encontra e publica uns textos tão belos, Ana. Se você soubesse como eles são certeiros pra mim. Me tocam muito.
E obrigada pelo comentário. Foi tão certo também o que você me disse, às vezes é preciso retroceder mesmo. Talvez seja o que eu precise atualmente, pra reencontrar algumas coisas que se perderam e precisam ser levadas para frente. Ou algumas coisas do passado que hoje tem outro sentido, depois de tudo que eu possa ter aprendido nos últimos meses e semanas...
Caramba, podia jurar que havia comentado já esse post.rsrsrs
Melhor nao me preocupar com isso, comento agora.rsrs
Muito bom;)
Besos
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