segunda-feira, 30 de junho de 2008

.o prazer no costume

trechinho bem interessante do "Humano, Demasiado Humano" do Nietszche.


"O Prazer no Costume

Uma importante varie­dade do prazer e, com isso, fonte da moralidade, provém do hábito. O usual faz-se mais facilmente, melhor, portanto, com mais agrado, sente-se nisso um prazer e sabe-se, por experiência, que o habitual deu bom resultado, daí é útil; um costume, com o qual se pode viver, está provado que é salutar, pro­veitoso, ao contrário de todas as tentativas novas, ainda não comprovadas.

O costume é, por conse­guinte, a união do agradável e do útil; além disso, não exige reflexão. Assim que o homem pode exer­cer coação, exerce-a para impor e introduzir os seus costumes, pois para ele, eles são a comprovada sabedoria prática.

De igual modo, uma comunidade de indivíduos obriga cada um deles ao mesmo cos­tume.

Aqui está a conclusão errada: porque uma pessoa se sente bem com um costume ou, pelo me­nos, porque por intermédio do mesmo assegura a sua existência, então esse costume é necessário, pois passa por ser a única possibilidade de uma pessoa conseguir sentir bem; o agrado da vida parece emanar exclusivamente dele. Esta concepção do habitual como uma condição da existência é aplica­da até aos mais pequenos pormenores do costume: dado que o conhecimento da verdadeira causalidade é muito escasso entre os povos e as civilizações que se encontram a um nível baixo, vela-se, pois, com supersticioso receio, por que tudo continue a seguir com o mesmo andamento; mesmo quando o costume é dificil, austero, incômodo, é conserva­do, devido à sua utilidade aparentemente supe­rior.

Não se sabe que o mesmo grau de bem-estar também pode existir com outros costumes e que até é possível alcançar graus mais elevados. Mas aquilo que se percebe bem é que todos os costu­mes, até os mais austeros, com o tempo se tornam mais agradáveis e suaves e que até o modo de vida mais severo se pode tornar um hábito e, portanto, um prazer. "
.
.
.
tá, pode parecer meio complicado, meio confuso, eu sei. então, pra descontrair um pouco:

.

[ah, também tem a ver com o assunto, né? =D e eu concordo plenamente.]

.

domingo, 29 de junho de 2008

.suavidade

.
"Vou lhe dar de presente uma coisa.
É assim:
borboleta é pétala que voa."
.
.
[clarice lispector]
.

sábado, 28 de junho de 2008

.conclusão após horas de telefone nas últimas 24h

"Um busca uma parteira para seus pensamentos,
o outro, alguém a quem possa ajudar:
assim nasce uma boa conversa."
.
[friedrich nietzsche]
.
.
normalmente eu sou a parteira... mas tudo bem. mesmo que seja para aconselhar sobre relacionamentos, problemas no trabalho ou resolver uma dor de estômago, até explicar como se lava uma folha de alface.
não importa.
to sempre aí pra uma boa conversa...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

.assim mesmo...

"Não creio em quem não tem sonhos
Dou de ombros aos sempre bem-humorados
Não piso em chão macio
E meu choro é incompreendido...
.
.
.
sim, sou mortal."




[uma das várias coisas que gostei, de um blog que eu recomendo...]

quinta-feira, 26 de junho de 2008

.além de ter preguiça...

...eu ando sem tempo pra ler. e pra postar outras coisas.
então, that's all folks!



terça-feira, 24 de junho de 2008

.leitura leve...

Livro do findi, bem legal: Selma e Sinatra, da Martha Medeiros.

[acompanhado de litros de chá de erva-doce, entãooo... afff! heheheh. aliás, uma coisa que eu sempre digo, e cada vez tenho mais certeza: virose é tudo aquilo que a medicina não explica. por exemplo: enjôos, febre e dor no corpo = virose. vômitos, febre, dor de cabeça = virose. dor no corpo, tosse, espirros = virose. sempre é virose. não importa, é um ciclo. em até 7 dias passa. então, médico pra quê, né?]



mas voltando...

eu já tinha lido esse livro. ganhei de uma amiga há anos, na época li e não achei grande coisa. lembro até que pensei: "o negócio da Martha é fazer crônicas mesmo...".
mas não.
acho que às vezes a gente lê as coisas na hora errada.
a história é interessante, mas o bom do livro é que tem muitos diálogos... e coisas que fazem a gente pensar na vida.
dá pra ler numa sentada, em duas horas e era isso.



Conta a história da Guta, uma jornalista meio fracassada... que escreveu três livros, sem sucesso... que tem uma vida mais ou menos, um emprego mais ou menos, ganha mais ou menos, é mais ou menos bonita, não deu certo com homem nenhum... enfim. uma pessoa bem mais ou menos. apesar de tudo isso, ela é convidada a escrever a biografia de uma das maiores, melhores e mais famosas cantoras brasileiras: Selma.

Selma, a toda perfeita, com uma vida perfeita... desde a infância, até o casamento, a carreira, os filhos.. tudo perfeito.
e o excesso de perfeição irrita muito. dá sono. cansa. ninguém pode ter uma vida tão certinha assim...
Mas a Guta consegue, um dia, achar um furo na vida da Selma. ela transou com o Frank Sinatra! [ooooooohhh... grande coisa, eu pensei! ¬¬']
mas pra ela foi grande coisa sim... a sra. perfeição, casada, fazer uma dessas... aiaiai!
e por aí a história se desenrola...

na verdade, esse enredo não é dos melhores mesmo. mas tem várias conversas entre a jornalista e a cantora que valem a pena, principalmente quando elas começam a se bicar.
deixo algus trechos aqui...



"- Você deve estar brincando, Selma. Nada do que você faz é deselegante, nada é incorreto, nada é sofrido. Você é a pessoa mais abençoada da face da Terra. Os deuses conspiram a seu favor, não há uma única mácula no seu currículo.
- E isso é bom ou é ruim?
- Deve ser um êxtase, quem além de você pode nos dizer?...
- Desculpe, Selma, desculpe. Claro que é ótimo. Quem não desejaria viver bem? Só não sei se... sei lá, talvez eu esteja me precipitando, ainda conheço tão pouco da sua vida... mas é que...
- Diga.
- Está tudo muito linear, entende? Muito conto de fadas. O leitor espera entrar profundamente na sua intimidade. Selma, eu gostaria de saber mais sobre seus medos, sobre suas frustrações, suas inseguranças. Para humanizar o livro.
- Para vender o livro, você quer dizer.

De novo a velha disputa entre mercado e arte.

- Não, eu quis dizer para humanizar mesmo. Selma, as pessoas sabem a carreira brilhante que você construiu. Conhecem sua voz, seu talento, compraram seus disco. Já viram entrevistas suas na tevê e nas revistas. Sabem que você foi muito bem casada e que depois que enviuvou não voltou a casar. Mas isso aqui não é uma entrevista. Eu vou colhendo material para uma biografia.
- Muito bem. Pergunte.
- Este casamento sensacional, cinematográfico e apaixonado nunca sofreu nenhum abalo?
- É isso que humaniza uma pessoa? O que ela sofreu?... Guta, pelo visto tenho muito a aprender com você. O que é uma perda violenta? Perder o horário da manicure? Como você pode saber o que eu senti?
- Eu falo de outro tipo de perda. Da perda de si mesmo. A perda de um amor que não se concretizou, a perda de um sonho. A perda de algo que deveria ter acontecido e não aconteceu. Essas coisas que não permitem que nosso destino se realize, ao menos não o destino que a gente idealizava. Você entende sobre o que estou falando?
- Entendo, Guta, mas não posso corresponder às suas expectativas. Meu destino era ser cantora e fui cantora. Sou cantora. E uma das melhores do país. A melhor, sendo exata. Eu tive poucos namorados, logo conheci o Henrique, me apaixonei por ele, casamos e fomos felizes até o dia que ele entrou naquela sala de cirurgia para operar o coração e de lá nunca mais saiu. Meus dois filhos não vivem comigo porque eles têm a vida deles, é natural. Me telefonam, me visitam, o que mais pode se esperar de dois marmanjos? Eu estou aqui, com 70 anos nas costas, bem amparada nas minhas duas pernas e passando batom até pra dormir, porque a única interrupção violenta que eu conheço pode acontecer comigo a qualquer hora do dia ou da noite, e não pretendo ser pega desprevenida. O resto não é interrupção, filha, é continuidade. Nada se interrompe enquanto estivermos respirando.

- O que é que lhe dói?
- Rugas. Rugas doem mais do que pedra no rim.
- Eu estou falando sério.
- Eu também.
- Desculpe, Selma. Acho que estou forçando a barra.
- Você está apenas desapontada por eu ser feliz.
- Não, eu não sou nenhum espírito de porco, não me interprete mal. É que me custa a creditar que alguém não tenha conflitos. Todo mundo tem conflitos. Conflitos imensos.
- Não estou dizendo que eu não tenha, Guta. Não são imensos, são modestos. O que eu não acho é que eles sejam mais interessantes do que as minhas alegrias, do que as minhas vitórias.
- Desculpe. Estou no meu inferno zodiacal, deve ser isso.
- Quantos anos você vai fazer?
- Quarenta e um.
- É, já está na hora de você ter um livro de sucesso."

[ai, alguém perdeu os dedos aqui...]



...

sábado, 21 de junho de 2008

.timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.


Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.


Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.


E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.


[cecília meireles]