sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

.alguns versos...

...para terminar a semana.
[deveras cansativa, por sinal. tá na hora de eu fazer as pazes com a cama e tirar o sono atrasado...]
enfim...
hoje deixo um poema aqui - que pra mim faz muito sentido.


.animal de luz




Soy en este sin fin sin soledad
un animal de luz acorralado
por sus errores y por su follaje:
ancha es la selva: aquí mis semejantes
pululan, retroceden o trafican,
mientras yo me retiro acompañado
por la escolta que el tiempo determina:
olas del mar, estrellas de la noche.


Es poco, es ancho, es escaso y es todo.
De tanto ver mis ojos otros ojos
y mi boca de tanto ser besada,
de haber tragado el humo
de aquellos trenes desaparecidos,
las viejas estaciones despiadadas
y el polvo de incesantes librerías,
el hombre yo, el mortal, se fatigó
de ojos, de besos, de humo, de caminos,
de libros más espesos que la tierra.


Y hoy en el fondo del bosque perdido
oye el rumor del enemigo y huye
no de los otros sino de sí mismo,
de la conversación interminable,
del coro que cantaba con nosotros
y del significado de la vida.


Por una vez, porque una voz, porque una
sílaba o el transcurso de un silencio
o el sonido insepulto de la ola
me dejan frente a la verdad,
y no hay nada más que descifrar,
ni nada más que hablar: eso era todo:
se cerraron las puertas de la selva,
circula el sol abriendo los follajes,
sube la luna como fruta blanca
y el hombre se acomoda a su destino.



[do jardim de inverno - pablo neruda** - página 71]
.
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**adoro, todo mundo sabe disso...
e obrigada, vento e vi pelo selinho. já está ali do lado...


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

.quando ninguém está por perto

créditos: http://criticalwatcher.blogspot.com/ [ótimo blog, aliás... recomendo.]
e dois bons barulhinhos, que adoro:
aqui e aqui.

Quando ninguém está por perto

"Parados estavam eles naquele banquinho da praça a admirar a velocidade com que aquelas pessoas caminhavam ali; não olhavam sequer ao lado, criando um submundo voltado pra sua própria realidade.

Entreolharam-se por um milésimo de segundo, mas preferiram manter o silêncio. Pareciam estar presos em sua própria realidade, já não havia mais ruído, já não havia mais pessoas. Só restavam pensamentos.

E mesmo diante daquele grau de contato íntimo com seu próprio eu, cada um deles fazia dos olhares que sobrevinham uma forma de encontrar o caminho do outro. E a taciturnidade ainda reinava naqueles gestos tão delicados.

Qual será o melhor caminho a seguir? Perguntavam-se.

As dúvidas pareciam gritar em suas cabeças e ao mesmo tempo, o coração palpitava cada vez mais rápido, cada vez mais confuso.

A verdade é que eles dois tinham muitos pensamentos em comum, mas de que adiantava? O medo sempre se tornava vilão da situação e apoderava-se de qualquer tentativa de fuga ou subterfúgio. No entanto, a força dos dois veio à tona. Encararam suas dúvidas e receios com o coração valente e aberto.

Não havia mais tempo para procrastinar. Era tarde e o tempo parecia passar cada vez mais rápido. Em medidas assustadoras, eles viram suas vidas passarem em um segundo. Será que tinha valido a pena? Era hora de seguir em frente.

Ele deu sua mão para ela, fazendo-a segurar fortemente. Ela, sorrindo, apertou ainda com mais força. Não falaram nada e, olhando para o horizonte, começaram a correr sem descanso. Nada fazia mais sentido parar ali. Incansavelmente, por dias e noites, estavam os dois contornando a mecânica falha de seus corpos.

E entre tantas pessoas que antes ali estavam, entre tantos bancos, tantas praças, eles se encontraram. Estranhos e unidos, somente pela vida. "


[*agarraenãosoltamais*]
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[adoro esse texto, tinha guardado há tempos... e eu disse que não demoraria a dar as caras por aqui!...]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

.alive

.poeminha da ausência
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"Entre a minha casa e a tua
há uma ponte de suspiros."
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[mário quintana]
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cheguei agora à noite, podre de cansada, conectei e vi a bagunça que tá minha casa virtual. ando meio sem tempo de atualizar e de passar nos outros blogs...
eu gosto tanto desse meu canto, mas às vezes prefiro ficar só no mundo real, com minhas perdas e ganhos. tentando administrar tudo da melhor forma possível. o que nem sempre é uma tarefa fácil.

mas enfim... sem muito papo no momento.
hoje deixo aqui um barulhinho bom, que traduz um pouco de tudo.
e aqui embaixo, segue o selinho que ganhei da moony semana passada. amei^^


como regra, devo indicar dez mulheres... mas já vi que algumas que eu indicaria já o receberam, então minha lista tem seis indicações, provavelmente alguma repetida também, mas deixa assim [e ponto.]:

july - gui - guegue - maíra - cintia chuchu - sara


e era isso, de momento.

não sei quando volto, mas passarei de vez em quando para tirar o mofo, limpar os cantinhos com teia de aranha e abrir as janelas.

[certamente não demoro muito...]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

.para ler, para ouvir e para sentir

[siga a ordem que preferir...]



.[1]a crônica que não postei ontem:



“Não é nenhuma novidade que dinheiro, viagens, status, beleza e outras coisinhas mundanas são sonhos de consumo, mas não dão sentido à vida de ninguém. A única coisa que justifica nossa existência são as relações que a gente constrói. Só os afetos é que compensam a gente viver uma vida inteira sem saber de onde viemos e para onde vamos. Diante da pergunta enigmática – por que estamos aqui? –, só nos consola uma resposta: para dar e receber abraços, apoio, cumplicidade, para nos reconhecermos um no outro, para repartir nossas angústias, sonhos, delírios. Para amar, resumindo.

Piegas? Depende de como essa história é contada. Se é através de um Power Point – aqueles textinhos cheios de flores acompanhados de musiquinha romântica –, qualquer mensagem, por mais filosófica e genial que seja, fica piegas de doer. Mas se é através de um filme inteligente, sarcástico, tragicômico como
Invasões bárbaras
, o piegas passa à condição de arte.
O filme é uma continuação de
O declínio do império americano. Naquele, um grupo de amigos se encontrava numa casa à beira de um lago e discutia sobre vida, morte, sexo, política, filosofia. Em Invasões bárbaras
, esses mesmos amigos, quase 20 anos depois, se reencontram por causa da doença de um deles, que está com os dias contados. Descobrem que muitos dos seus ideais não vingaram, que muita coisa não saiu como o planejado, só o que sobrou mesmo foi a amizade entre eles. E a gente se pergunta: há algo mais nesta vida pra sobrar? Quando chegar nossa hora, o que realmente terá valido a pena? Os rostos, nomes, risadas, pernas, beijos, olhares que nos fizeram felizes por variados e eternos instantes.

Pais e filhos, maridos e mulheres, amantes e amigos: são eles que sustentam a nossa aparente normalidade, são eles que estimulam a nossa funcionalidade social. Se não for por eles, se não houver um passado e um presente para com eles compartilhar, com que identidade continuaremos em frente, que história teremos para carregar, quem testemunhará que aqui estivemos? Só quem nos conhece a fundo pode compreender o que nos revira por dentro, qual foi o trajeto percorrido para chegarmos neste exato ponto em que estamos, neste estágio de assombro ou alegria ou desespero ou sei lá, você que sabe em que pé andam as coisas. Se não nos conheceram, se não nos desvendaram, se ninguém aplicou um raio X na gente, então não existimos, o sentido da vida foi nenhum.

Todas as pessoas querem deixar alguns vestígios para a posteridade. Deixar alguma marca. É a velha história do livro, do filho e da árvore, o trio que supostamente nos imortaliza. Filhos somem no mundo, árvores são cortadas, livros mofam em sebos. A única coisa que nos imortaliza – mesmo – é a memória de quem amou a gente.



[retirado do ‘coisas da vida’ - martha medeiros – página 130.]



.[2]uma música que amo


e...



.[3]um colo e um abraço apertado


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[ps: em breve posto mais um selinho que ganhei da moony! hoje preciso ficar por aqui mesmo...]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

.do que fica

sumi uns dias... precisei dar uma “viajada”, mas resolvi voltar hoje.
tinha milhões de coisas que eu queria postar aqui [sinal da minha mente sempre acelerada]. inclusive havia separado uma crônica ótima, mas agora desisti dela. deixo para outro dia.
de momento, fica apenas isto:



[nas horas mais complicadas é que vemos quem está ao nosso lado, e quem de fato não se importa conosco. descobrimos os sentimentos que são verdadeiros. e pequenos gestos fazem TODA a diferença.]
.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

.again


mais um selinho, este com o propósito de que, quem ganhe, fale 6 segredos seus. como poderia sair muito podre aqui [rá! lógico...] eu me abstenho deles [até porque o propósito do meu blog nunca foi falar abertamente de coisas pessoais].
mas posso citar seis particularidades minhas, mais ou menos como a GueGue, que me indicou, fez.


1. eu sou absolutamente muito teimosa [faço asneiras incríveis por causa disso, mas pelo menos eu tento seguir meus propósitos até o fim. não gosto de me arrepender do que não fiz.].
2. sou muito sincera nas palavras e nas atitudes, considero isso vital.
3. quando perco a confiança em alguém, meio mundo morre dentro de mim.
4. eu perdoo [sem acento!] as pessoas com grande facilidade. o que não significa que elas possam continuar tendo algum papel importante na minha vida depois.
5. tenho memória seletiva. sempre sobreponho coisas boas às ruins.
6. não faço distinção entre animais e pessoas. amo todos da mesma forma, com a mesma intensidade [o que às vezes é incompreendido].




e aqui vão minhas indicações, mesmo que alguns já o tenham recebido:

maíra
gui
prity
sophie
sara
rôh e moony

domingo, 1 de fevereiro de 2009

.uma metáfora, uma música e duas conclusões

a metáfora:

Sobre eles


"Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar.
Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote."
.
[rita apoena]


a música
[porque eu abstraí a presença de certas pessoas e sorri muito ouvindo isso sábado à noite.]


e as conclusões:
.às vezes eu acho que não aprendo nunca - mania de pedir para o mundo parar porque quero descer! ¬¬'
.meus amigos são meus tesouros


e em breve posto o selinho de ganhei da
Glenda [!!!] de novo. :)