quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

.para poucos entenderem...

hahahhahah.. foi muito engraçado encontrar isso hoje.
Eu estava lendo um livro de tirinhas do Iotti, muito divertido... "Novíssimo Testamento: com Deus e o Diabo, a dupla da criação"...
Todo ele é muito bom... é como se fosse uma agência de publicidade, tendo Deus como redator e o Diabo como diretor de arte... e entre umas e outras, veio essa:



"coincidência", não???

=D

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

.dicionário para crianças

Mais uma dela, ainda...
[sim, ela mesma, uma overdose aqui no meu blog, mas é que - como praticamente tudo em minha vida - eu preciso consumir meus livros até o fim, colocar o que eu acho necessário e relevante.]

Apesar de eu ser uma dessas pessoas de “coração frio”, que preferem os animais aos seres humanos, eu gostei muito desse texto. Expressa bem a forma das crianças verem o mundo. Sem meias palavras, sem enrolação, muito clara.
Eu identifiquei adultos ali. Na forma simples e objetiva de falar do que gosta, desgosta e pensa.


[e lá vai outro texto enorme – não venham me azucrinar, dizer que é muita coisa pra ler... imagina o trabalho que eu tenho digitando sempre um montão...?]


“O menino de sete anos chegou até o pai e pediu um dicionário.
O pai lhe botou na mão um dicionário escolar, bastante simples. A criança olhou, leu, sacudiu a cabeça:
- Ta difícil, pai, isso aí não interessa. Não tem dicionário pra criança?
Hoje deve ter, mas naquele tempo não tinha. Enquanto os adultos pensavam no que fazer, o menino decidiu:
- Eu vou escrever um, posso?
Claro que podia. Pegou-se um arquivo, que ainda existe, com folhas amareladas e sua caprichada letra de menino. O alfabeto ele conhecia, escrevia direitinho, e depois de uma semana chuvosa de férias saíram vários verbetes.
Alguns deles aqui vão:

Alface. Alface é uma verdura. A alface é de comer mas eu não como alface. Ela é verde na folha e branca no cabo. Minha mãe diz que salada faz bem pra saúde mas eu não como salada. Azar o meu.
Argola. A argola é um tipo de círculo. Ela é bem redonda. Eu vi na televisão que no circo tem argolas grandes e pequenas. Os homens do circo pegavam as argolas grandes, botavam fogo, e o tigre tinha que pular no meio. Coitado do tigre.
Amigo. Amigo é uma pessoa que gosta da outra. Daí é amigo. Eu sou amigo da minha família e da família da nossa empregada. A gente devia ser amigo de todo mundo. Mas às vezes não dá.
Afogado. Afogado é uma pessoa que se afoga. Na praia eu vi pessoas afogadas e os salva-vidas iam lá e salvavam elas. Os salva-vidas são pessoas que salvam as pessoas. Um homem que se afoga mas fica vivo é porque não tinha se afogado muito. Eu nunca me afoguei.
Bonito. Bonito é uma coisa que se chama de bonito. Por exemplo: uma pessoa que seja o contrário de feia é bonita. Eu, minha mãe, meu pai e meus irmãos somos todos bonitos. Ainda bem. Mas o mundo que Deus fez é o mais bonito de tudo.
Livro. Livro é uma coisa muito boa porque eu gosto de ler. Eu já li um monte de livros mas meu irmão pequeno rasga eles. Tem uns livros que são de histórias e outros que são de estudar. Eles já são feitos para isso. Meu pai escreve livros para estudar. Nós aprendemos lendo e estudando, mas também aprendemos com as professoras ou nem precisava existir professora.
Mala. Mala é uma coisa com tampa, parece uma caixa mas não é de madeira, é de couro. A mala serve para botar a roupa quando a gente vai viajar. Não gosto de olhar uma mala porque me lembro de que às vezes meu pai viaja e quando ele viaja eu tenho saudades dele. Ainda bem que ele sempre volta.
Ninho. Ninho é uma coisa que os passarinhos fazem para morar, para dormir, para botar os ovinhos e para ter os filhotes. Numa árvore da minha casa tem um ninho de passarinho. O ninho é feito de muitas coisas que eles vão juntando por aí, pedaços de pau, pedaços de pano, folhas secas e tudo isso. O ninho do joão-de-barro é bem diferente porque parece uma casa de verdade feita de barro. O ninho do joão-de-barro parece um iglu. O iglu é a casa dos esquimós que moram no gelo. Lá deve ser muito frio.
Seco. Seco é o contrário de molhado. Por exemplo: quando não chove fica tudo seco. Quando o sol fica raiando muitos dias tudo fica seco. Sem sol nada fica seco. Aí a mãe reclama que está tudo úmido. Úmido é um tipo de molhado. Mas o sol não pode raiar o tempo todo. Porque daí todas as plantas se queimam e então também tem que existir a chuva. Que é molhada.
(...)
Xixi. Estou botando essa palavra porque só conheço essa com x mas minha mãe disse que podia. O xixi é um líquido que sai da barriga da gente. O xixi é amarelo. O xixi é importante, porque se não onde íamos botar toda a água que a gente toma? Por isso é que todos fazem xixi.
Zebu. Essa também é uma letra que eu conheço poucas palavras. O zebu é um animal. É um tipo de boi. Ele tem uma cabeça, um corpo, quatro pernas, um rabo, dois olhos, uma boca, um nariz, um pé, outro pé. E mais dois pés. O mais importante nele é o coração. Depois uns homens chegam lá e matam ele e tiram a carne dele e comem. Isso eu acho muito esquisito. E meio triste. Mas se não fosse assim como é que a gente ia comer carne.
Zero. Eu lembrei outra palavra com essa letra, o zero. O zero não é uma palavra porque é um número. Mas número a gente também escreve o nome dele. Outro dia minha mãe disse que ela é um zero na cozinha. Eu não entendi direito isso. Nota zero parece que é quando alguém é preguiçoso na escola ou burro. O zero que eu conheço é um número assim meio redondo quase como um ovo. Um cara é um zero à esquerda quando não trabalha direito. Isso aí foi meu pai quem falou.”


E aí?
Quem se anima a fazer um desses também, com toda sinceridade, conhecendo o tanto de palavras que sabidamente às vezes é melhor nem dizer?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

.para não dizer adeus

Capítulo 29 do Pensar é Transgredir da Lya... uma poesia... "Para não dizer adeus"... parte 2.
[inclusive eu acho que não é o forte dela, mas dessa eu gostei]

"Caminho entre as minhas perdas
- que são insetos escuros -
e os meus ganhos, douradas borboletas.

A luz de uma paixão, o dedo da morte,
o lento pincel da solidão
desenharam meus contornos, firmaram
meu chão.

Que liberdade não precisar pensar;
que alívio não ter de administrar
a minha vida:
apenas andar,
apenas olhar, apenas
ouvir essa voz, essas vozes
que vêm de longe, passam por mim
e não me dão a menor importância

porque no vasto oceano
a minha eventual desarmonia
é apenas uma gota
desafinada.
Mais nada."

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

.teorias da alma [2]

“Emprestaram-me um livro onde estava sublinhada a frase: a meta da vida é a morte.
Bem, eu acredito que o final da vida é a morte, mas que a meta da vida é uma vida feliz.
Palavras gastam-se como pedras de rio: mudam de forma e significado, de lugar, algumas desaparecem, vão ser lama de leito das águas. Podem até reaparecer renovadas mais adiante.
Felicidade é uma delas.
Banalizou-se porque vivemos numa época de vulgarização de grandes emoções e desejos, tudo fast food, prêt-à-porter, pronto para o microondas, fácil e rápido... e tantas vezes anêmico.
Se por encantamento e profissão escolhi o território das palavras, sei o quanto algumas se contaminam pelo uso e se tornam agressivas ou contraditórias, têm ares de ironia ou de ingenuidade. Tornam-se confusas e ineficientes, prestam-se a mal-entendidos ou clareiam mais o significado.
Conheço um pouco o modo como se apoderam das nossas experiências e lhes dão rostos, roupas, ares que nem tínhamos imaginado.

Gosto das coisas – pessoas e palavras – desconcertantes.
Seus contornos imprecisos permitem que a gente exerça o direito de refletir e de criar em cima delas.”



[breve intromissão minha: esse último parágrafo diz tudo pra mim. e eu gosto que seja assim.]

(...)

"Precisamos superar a idéia de que estamos meramente correndo para o nosso fim, num processo de deterioração e apagamento.
Esse é o nosso fantasma mais destrutivo, pois se alimenta com nosso temor da morte, e cresce desmesuradamente porque nosso vazio interior lhe concede um espaço extraordinário.

(...)

A cada transição executamos nossos rituais, perdemos alguns bens e ganhamos outros, alguns duramente conquistados. Falo dos bens de dentro.
Esses que nem o banco fechando nem país falindo caducam; esses que nem o amado morrendo a gente perde; esses que na dor nos iluminam, na alegria nos ajudam a curtir mais, e no tédio – quando tudo parece tão sem graça – agitam correntes submersas de energia mesmo se a superfície parece morta.
Quando pensamos que tudo acabou, que nunca mais teremos alegria ou emoção, tudo isso que estava guardado e é bom emerge em plena vigência e força.
É desses tesouros que eu falo: eles podem vencer o que nos paralisa. Hão de superar essa cultura do aqui e agora, do aproveitar, do adquirir, do estar na moda, do estar por cima, do estar-se agitando e curtindo sem parar.
Na infância tudo é sempre agora.
Estamos ocupados em viver.
Aos poucos, se distinguem antes e depois, talvez pela separação momentânea de uma presença reconfortante que vai e retorna num tempo ainda não medido. A ausência se torna real num lampejo quando essa pessoa volta. “Ué, você não estava aí?”
Por fim emergimos daquelas águas mornas e percebemos que existimos – no tempo. Estamos em processo, em viagem, estamos em curso.”

(...)

Existir é poder refinar nossa consciência de que somos demais preciosos para nos desperdiçarmos buscando ser quem não somos, não podemos, nem queremos ser.”

[Lya Luft – Perdas e Ganhos]

sábado, 26 de janeiro de 2008

.teorias da alma

“Quanto mais recursos temos no campo da psicologia e dos novos conhecimentos sobre as relações humanas, mais inseguros estamos.
Quanto mais civilizados, menos naturais somos. Na época em que mais se fala em natureza estamos mais distantes dela. Ser natural passou a não ser natural.
(...)
Esquecemos o melhor mestre: o bom-senso. A escuta do que temos no nosso interior. Aquela coisa antiquada chamada intuição, lembram? Claro que para isso precisamos ter bom-senso e ter algo dentro de nós para ser escutado.
(...)
É que somos, além de aflitos, desorientados. Falta-nos o hábito de observar e de refletir. Preferimos evitar o espelho que faz olhar para dentro de nós. Cada vez mais amadurecemos tarde ou mal. Somos crianças tendo crianças.
Não gostamos de refletir e decidir: se a gente parar para pensar, tudo desmorona, me disse alguém. Temos receio de encontrar a ponta do fio dissimulada na confusão do novelo e, puxando por ela, ver tudo desmoronar.
Mas pode ser positivo: poderíamos recolher os cacos e recomeçar. Quem sabe criar uma estrutura interior mais natural e boa do que essa que fundamos, e baseados nela dar aos filhos um legado – e um recado – tranqüilo e positivo, que não está em livros nem em consultórios.
Ser natural está em grave crise.”

[Lya Luft – Perdas e Ganhos]

sem mais por hora...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

.pequeno lapso de lucidez


[porque, afinal, é muito ruim viver na inconstância. e o excesso de reflexão sempre antecede alguma decisão... ou não??]

faz parte do processo...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

.retalhos

Interrompida várias vezes pela Angie (minha filhota fucinhenta de quatro patas), estava eu, ontem, selecionando os últimos trechos do livro "A sabedoria nossa de cada dia" - que citei no post anterior - para colocar aqui.
São pequenos pedaços de grande relevância no contexto do todo. [ok, eu compliquei agora.]
Não quis buscar frases de efeito** [muitas vezes bonitas, mas superficiais], e sim parágrafos que me fizeram pensar.

** aliás, o autor não faz uso disso com freqüência, o que muito me agrada.

Sem mais delongas e, como diria um professor meu, "Não vamos masturbar as idéias" (!!!), melhor ir logo ao que interessa.


.da tranqüilidade

"Nutrir-se de tranqüilidade é fundamental para a saúde psíquica. Ser tranqüilo é desenvolver atividades com brandura, dar cada passo a seu tempo, fazer uma coisa de cada vez, saber esperar. É ter habilidade para não se estressar diante das contrariedades e para diminuir a temperatura da emoção diante das dificuldades. É viver sem atropelos e sem desespero.

Ser tranqüilo não é viver socialmente alienado, mas inteirar-se dos problemas sem ser escravo deles.
(...)
Ser tranqüilo é ser amigo da paciência e amante da tolerância. É fazer o que é possível, tendo sabedoria para aceitar o impossível. É tomar decisões, assumindo as perdas que cada escolha envolve. É saborear conscientemente cada alimento, em vez de engolir a comida."
(...)

É simplesmente impossível congelar o prazer, a tranqüilidade e a segurança no território da emoção, pois é impossível evitar o caos dessas experiências. Sua alegria vai embora; sua tristeza também. Elas jamais ficarão para sempre, mas poderão retornar num curto intervalo de tempo.

Não se preocupe quando ninguém o compreender e quando todos o rejeitarem, pois a angústia acabará indo embora. Tenha paciência para esperar que ela se dissipe. Se muitos que tiraram as próprias vidas tivessem esperado mais alguns dias ou meses, ficariam assombrados ao se darem conta do desaparecimento de suas decepções, sentimentos de culpa, angústias."


.da humildade

"As pessoas que se dizem humildes provavelmente não o são. É possível ser financeiramente pobre e ao mesmo tempo infectado pelo vírus do orgulho. É possível andar maltrapilho e ostentar o mais arrogante ar de superioridade. Há pessoas tão humildes que têm orgulho da própria humildade.
(...)
O monstro do orgulho e da arrogância, dissimulado atrás do manto fino da humildade, aparece. Qualquer pessoa - filósofos, pensadores, líderes espirituais - corre o risco de ser atingido pela soberba. (...) É importante termos consciência de que todos nós estamos contaminados pelo vírus do orgulho. E é bom saber que ele nunca morre. Basta alguém nos criticar, justa ou injustamente, para que ele se manifeste, ainda que por breves momentos."


.dos débitos da existência

"Na terra do individualismo, o homem Jesus proclamava idéias que perturbavam a mente e exaltavam a emoção: "Ama o próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:39). Como será que amamos aqueles que tocamos com as mãos, que vemos com os olhos, que dormem ao nosso lado, compartilham conosco as refeições?
(...)
Aprender a agradecer tudo o que temos é uma forma excelente de cuidar carinhosamnete da saúde psíquica. Hoje é tempo de agradecer a nossos pais, a nossos filhos, à pessoa amada e aos amigos. Agradecer o carinho, o afeto e a dedicação, dizer que eles fazem a diferença em nossas vidas. Quem não sabe agradecer não sabe saldar as dívidas de amor consigo mesmo e com os outros."


.da superação da hipocrisia

"Algumas pessoas ficam ainda mais angustiadas quando ouvem conselhos pré-fabricados do tipo: "Olhe em volta, há pessoas em pior situação que você", "Não seja frágil", "Procure se distrair". São conselhos que não levam em conta a complexidade da dor humana e por isso não exercem qualquer efeito terapêutico. Às vezes é muito melhor dar o ombro para alguém chorar e mostrar uma solidariedade silenciosa do que fazer grandes discursos.


.da capacidade de não ser controlado

"Em grego a expressão "cair em tentação", entre outros sentidos, significa "estar sob controle". O Mestre do Mestres nos instiga a sermos humildes e ousados. Humildes para reconhecer nosso cárcere interior, ousados para sair dele.
Estimula-nos a lutar interiormente, a bradar, diária e silenciosamente, com determinação: "Não deixe que eu seja controlado pela minha impulsividade! Não me deixe ser dominado pelos meus medos! Não quero ser um boneco nas mãos da minha arrogância! Não quero ser fantoche da minha hipersensibilidade!"


[Augusto Cury]


p.s.: post enorme, tenho certeza que poucos vão ter vontade de ler por completo. e estou me sentindo uma estraga-prazeres da leitura alheia, mas enfim...