segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

.dos devaneios da Lya...

Às vezes eu acho que o Quintana escrevia pra mim. Outras vezes, o Neruda. Tudo depende do momento.
E ontem a Lya virou minha mais nova amiga. Ela também escreve pra mim.
Comecei a ler "Pensar é transgredir" só porque acho que meu cérebro ainda não precisa de total descanso. Muito, muito, mas muito bom mesmo. Dá vontade de copiar o livro todo e colocar aqui. Mas não, sem exageros. Aí vai a crônica do capítulo 3... [logo virão outras mais...]


"Canção da mulheres
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que a culpa é dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo 'Olha que estou tendo muita paciência com você!"
Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: "Mas que chateação essa sua mania, volte para a cama!"
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não comente logo: "Poxa, mais um?"
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro - filho, amigo, amante, marido - não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher."
[Lya Luft]

4 comentários:

Álvaro disse...

Legal o post, mas poderia conter noo final:
- que o outro carregue as minhas malas...
- que o outro diga que estou linda,,,
- que outro não tenha um dia ruim...
hehe, poderia...
poderia ser para os dois:
-que a outra...
passarei mais vezes :)
Bjsssss

.ana disse...

claro, carregar as malas é extremamente necessário tb!
hahahha

[mas verdade, gentileza nunca é demais...]

The Heart of Lilith disse...

que o outro saiba que também é humano e erra
que o outro não brinque com meus sentimentos

.ana disse...

mais umas páginas adiante descobri que ela tb escreveu a canção do homem...
em uns três ou quatro trechos fala em sexo! hahahahah